Telescópio russo para mapear lixo espacial será inaugurado nesta quarta

Telescópio russo para mapear lixo espacial será inaugurado nesta quarta

Equipamento irá monitorar satélites velhos na órbita da Terra e gerar mapa. Dados serão gerados do Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis,

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Equipamento irá monitorar satélites velhos na órbita da Terra e gerar mapa.
Dados serão gerados do Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis, MG.

Telescópio russo PanEos instalado no Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis (Foto: LNA/Divulgação)
Um telescópio russo para mapeamento de detritos espaciais será inaugurado nesta quarta-feira (5) em Brazópolis (MG). O projeto é resultado de um acordo entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a estatal russa Roscosmos para monitoramento do céu. A cerimônia acontece no Observatório Pico dos Dias, onde o equipamento foi instalado, a partir das 15h. É o primeiro telescópio deste tipo instalado no Brasil, que também é o primeiro país a receber o projeto da Rússia.
O investimento no projeto foi de cerca de R$ 10 milhões feito todo pela Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos). Parte da verba, utilizada no Brasil para construção do prédio que abriga o telescópio e logística da obra, foi gerenciada pela Fundação de Apoio à Indústria de Itajubá (Fupai-MG), onde fica a sede do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA). Os russos forneceram o equipamento e fizeram a instalação do telescópio. A obra teve início em novembro do ano passado, e em março, as primeiras imagens de teste já foram geradas.
Telescópio russo PanEos instalado no Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis, MG - 3 (Foto: Arte/G1)
O diretor do LNA, Bruno Castilho, explica que os satélites são colocados no espaço em uma rota precisa para cobrir determinada área, para pesquisas ou comunicação, mas ao serem desativados, eles ficam perdidos no espaço sem uma órbita determinada. Quando um pedaço de satélite velho colide com outro, ele ainda se quebra em mais pedaços, virando detritos espaciais em rotas completamente desconhecidas.
"Já existem muitos pedaços desses no espaço, e tanto a Nasa [agência espacial norte-americana] quanto a Agência Espacial Russa viram que é urgente ter um mapa detalhado desses detritos espaciais. Por que? Você coloca um satélite novo [no espaço], que custou milhões de reais, aí vem um pedaço de detrito desse, bate no seu satélite e destrói ele”, completa Castilho.
Chamado de Panoramic Electro Optical System (PanEos), o telescópio russo foi planejado para rastrear esse tipo de lixo espacial. Ao determinar a órbita desses detritos com precisão, a agência russa gera um mapa de área segura para lançamento de novos satélites.
O acordo entre as Roscosmos e a AEB para instalação do telescópio no Brasil foi assinado no dia 7 de abril de 2016 em Brazópolis. Segundo Castilho, a Rússia já tinha um acordo desde 1997 com a Agência Espacial Brasileira para uso pacífico do espaço, na área de satélites, e como eles precisavam de um telescópio no hemisfério sul, eles procuraram primeiro o Brasil.
“Foram oferecidas algumas opções de locais onde poderia ser instalado o telescópio. Eles avaliaram vários quesitos, como infraestrutura, a facilidade de chegar, qualidade [para geração das imagens], porque fica numa montanha mais alta, e escolheram o Pico dos Dias.”
Instalação
Logo após a assinatura do acordo em 2016, os dois países iniciaram a instalação do telescópio em Brazópolis. Empresas brasileiras ficaram com a construção do prédio que abriga o equipamento, fazendo a estrutura de concreto e a parte de alvenaria. Já as peças e equipamentos que fazem parte do telescópio vieram todos da Rússia.
Segundo Castilho, a carga chegou ao Brasil em outubro de 2016 e a montagem teve início no dia 20 de novembro. No começo deste ano, duas equipes russas se revezaram instalando a parte eletrônica, óptica e computadores do telescópio. As primeiras imagens de testes foram geradas no final de março – na imagem abaixo, é possível ver uma delas.
“Não teve nenhum atraso, concluiu-se da melhor forma possível, sem contratempos. Tudo dentro do cronograma”, ressalta Castilho. "A partir dessa semana, junto com a delegação russa que está vindo para a cerimônia, vem também um técnico especializado no equipamento da Rússia para treinar a equipe brasileira para já operar o telescópio, e assim, começar a fazer as imagens [do mapa].”
Mapeamento
O telescópio instalado no Brasil vai trabalhar junto com outro equipamento praticamente idêntico que já está instalado na Rússia, nas montanhas Altai na Sibéria, a cerca de 15 mil quilômetros de distância e a 73 graus de latitude de diferença. O observatório onde o telescópio foi instalado no Brasil fica a 1.864 metros de altitude entre os municípios de Brazópolis e Piranguçu, no Sul de Minas Gerais.
Castilho explica que os dois telescópios vão fazendo imagens em sequência de várias partes do céu, e todo pedaço de detrito que aparecer é mapeado. Com os equipamentos localizados nos dois hemisférios, é possível fazer imagens de uma área maior e completar a órbita dos detritos com mais precisão. As lentes do telescópio permitem observar objetos até a magnitude 17 com exposições de 30 segundos, ou seja, detectando detritos espaciais de poucos centímetros.

05/04/2017 00h05 - Atualizado em 05/04/2017 00h05
Telescópio russo para mapear lixo espacial será inaugurado nesta quarta
Equipamento irá monitorar satélites velhos na órbita da Terra e gerar mapa.
Dados serão gerados do Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis, MG.
Samantha Silva
Do G1 Sul de Minas
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Telescópio russo PanEos instalado no Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis, MG (Foto: LNA/Divulgação)
Telescópio russo PanEos instalado no Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis (Foto: LNA/Divulgação)
Um telescópio russo para mapeamento de detritos espaciais será inaugurado nesta quarta-feira (5) em Brazópolis (MG). O projeto é resultado de um acordo entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a estatal russa Roscosmos para monitoramento do céu. A cerimônia acontece no Observatório Pico dos Dias, onde o equipamento foi instalado, a partir das 15h. É o primeiro telescópio deste tipo instalado no Brasil, que também é o primeiro país a receber o projeto da Rússia.
O investimento no projeto foi de cerca de R$ 10 milhões feito todo pela Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos). Parte da verba, utilizada no Brasil para construção do prédio que abriga o telescópio e logística da obra, foi gerenciada pela Fundação de Apoio à Indústria de Itajubá (Fupai-MG), onde fica a sede do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA). Os russos forneceram o equipamento e fizeram a instalação do telescópio. A obra teve início em novembro do ano passado, e em março, as primeiras imagens de teste já foram geradas.
Telescópio russo PanEos instalado no Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis, MG - 3 (Foto: Arte/G1)
O diretor do LNA, Bruno Castilho, explica que os satélites são colocados no espaço em uma rota precisa para cobrir determinada área, para pesquisas ou comunicação, mas ao serem desativados, eles ficam perdidos no espaço sem uma órbita determinada. Quando um pedaço de satélite velho colide com outro, ele ainda se quebra em mais pedaços, virando detritos espaciais em rotas completamente desconhecidas.
"Já existem muitos pedaços desses no espaço, e tanto a Nasa [agência espacial norte-americana] quanto a Agência Espacial Russa viram que é urgente ter um mapa detalhado desses detritos espaciais. Por que? Você coloca um satélite novo [no espaço], que custou milhões de reais, aí vem um pedaço de detrito desse, bate no seu satélite e destrói ele”, completa Castilho.
Chamado de Panoramic Electro Optical System (PanEos), o telescópio russo foi planejado para rastrear esse tipo de lixo espacial. Ao determinar a órbita desses detritos com precisão, a agência russa gera um mapa de área segura para lançamento de novos satélites.
O acordo entre as Roscosmos e a AEB para instalação do telescópio no Brasil foi assinado no dia 7 de abril de 2016 em Brazópolis. Segundo Castilho, a Rússia já tinha um acordo desde 1997 com a Agência Espacial Brasileira para uso pacífico do espaço, na área de satélites, e como eles precisavam de um telescópio no hemisfério sul, eles procuraram primeiro o Brasil.
“Foram oferecidas algumas opções de locais onde poderia ser instalado o telescópio. Eles avaliaram vários quesitos, como infraestrutura, a facilidade de chegar, qualidade [para geração das imagens], porque fica numa montanha mais alta, e escolheram o Pico dos Dias.”
Instalação
Logo após a assinatura do acordo em 2016, os dois países iniciaram a instalação do telescópio em Brazópolis. Empresas brasileiras ficaram com a construção do prédio que abriga o equipamento, fazendo a estrutura de concreto e a parte de alvenaria. Já as peças e equipamentos que fazem parte do telescópio vieram todos da Rússia.
Segundo Castilho, a carga chegou ao Brasil em outubro de 2016 e a montagem teve início no dia 20 de novembro. No começo deste ano, duas equipes russas se revezaram instalando a parte eletrônica, óptica e computadores do telescópio. As primeiras imagens de testes foram geradas no final de março – na imagem abaixo, é possível ver uma delas.
“Não teve nenhum atraso, concluiu-se da melhor forma possível, sem contratempos. Tudo dentro do cronograma”, ressalta Castilho. "A partir dessa semana, junto com a delegação russa que está vindo para a cerimônia, vem também um técnico especializado no equipamento da Rússia para treinar a equipe brasileira para já operar o telescópio, e assim, começar a fazer as imagens [do mapa].”
Mapeamento
O telescópio instalado no Brasil vai trabalhar junto com outro equipamento praticamente idêntico que já está instalado na Rússia, nas montanhas Altai na Sibéria, a cerca de 15 mil quilômetros de distância e a 73 graus de latitude de diferença. O observatório onde o telescópio foi instalado no Brasil fica a 1.864 metros de altitude entre os municípios de Brazópolis e Piranguçu, no Sul de Minas Gerais.
Castilho explica que os dois telescópios vão fazendo imagens em sequência de várias partes do céu, e todo pedaço de detrito que aparecer é mapeado. Com os equipamentos localizados nos dois hemisférios, é possível fazer imagens de uma área maior e completar a órbita dos detritos com mais precisão. As lentes do telescópio permitem observar objetos até a magnitude 17 com exposições de 30 segundos, ou seja, detectando detritos espaciais de poucos centímetros.
Imagem teste gerada pelo telescópio russo PanEos em Brazópolis; lentes permitem ver objetos no espaço de poucos centímetros (Foto: PanEos/LNA/Divulgação)
Imagem teste gerada pelo telescópio russo PanEos em Brazópolis; lentes permitem ver objetos no espaço de poucos centímetros (Foto: PanEos/LNA/Divulgação)
A lista de alvos a serem analisados é preparada na Rússia e enviada por e-mail aos operadores brasileiros, que então fazem as observações solicitadas. Os dados ficam armazenados temporariamente no Brasil e, em seguida, são enviados à Rússia também via internet.
Projetos futuros
Este é o quinto telescópio instalado no Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis, mas como explica Castilho, todos os equipamentos brasileiros têm um campo de visão pequeno. A contrapartida do acordo é que o telescópio russo vai permitir pesquisas no Brasil que ainda não eram possíveis, como localização de estrelas variáveis, novos asteroides e supernovas que aparecerem.
O telescópio instalado no Brasil vai trabalhar junto com outro equipamento praticamente idêntico que já está instalado na Rússia, nas montanhas Altai na Sibéria, a cerca de 15 mil quilômetros de distância e a 73 graus de latitude de diferença.
“Como serão feitas muitas imagens do céu, a Agência Espacial Russa só vai procurar pelos detritos espaciais, mas o LNA vai ficar com cópias dessas imagens. Qualquer astrônomo brasileiro que quiser usar essas imagens pra pesquisar em astronomia, vai poder. Então a contrapartida deles pra nós é oferecer essas imagens para pesquisas científicas."
Assim que o telescópio russo começar a funcionar, Castilho conta que será feita uma análise das primeiras imagens para verificar a qualidade delas e avaliar as possibilidades de pesquisa. “Pra gente ver a diferença da quantidade de luz que chegou da estrela e o ruído de fundo, e perceber até que estrela que dá pra observar, qual o tamanho que a estrela fica na imagem”, explica. Essas informações serão publicadas posteriormente no site do LNA e ficarão disponíveis para que os astrônomos brasileiros possam usá-las.
Colaboração científica
Castilho ressalta ainda que o projeto reforça o acordo do Brasil na área de ciência com o BRICS (grupo político de cooperação formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que foi assinado no fim de 2015 pelos ministros de ciência dos cinco países.

A Rússia é um país que tem uma tradição de tecnologia e de ciência muito grande, e hoje em dia, o Brasil tem colaborações pontuais com a Rússia, alguns pesquisadores, mas poucas colaborações institucionais. A gente fazendo esse acordo, mostra que é possível, é viável e outros acordos na área científica e tecnológica podem acontecer."
Na cerimônia desta quarta-feira, estarão presentes representantes da Roscosmos, da Agência Espacial Brasileira, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil e outras autoridades da região.




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