Combustão Espontânea Humana: Como a ciência explica?

Combustão Espontânea Humana: Como a ciência explica?

Combustão Espontânea Humana: Como a ciência explica? Já imaginou estar lá caminhando e daqui a pouco irromper em chamas? Pode acontecer e a ciência explica. Por Maximiliano Meyer | @Evilmaax em

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Combustão Espontânea Humana: Como a ciência explica?

Já imaginou estar lá caminhando e daqui a pouco irromper em chamas? Pode acontecer e a ciência explica.
Por Maximiliano Meyer | @Evilmaax em 26/10/2017 14:13 em Ciência
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Das coisas mais loucaças que até hoje não se explica direito está uma que me intriga bastante: A combustão espontânea humana. Pense bem: Você está lá caminhando e daqui a pouco sente um calor que não passa. E de repente, não mais que de repente, seu corpo incorre em chamas de dentro para fora!!

Ok, não é tão caricato assim, mas a combustão espontânea existe, a ciência já a registrou diversas vezes, porém, ainda não conseguiu explicá-la em detalhes restando apenas suposições. Confira a partir de agora o que se sabe e como a ciência explica esse fenômeno. Histórico

O fenômeno bizarro é conhecido há pelo menos 550 anos quando um cavaleiro italiano de nome Polonus Vorstius aparentemente entrou em combustão do nada. O caso foi descrito séculos depois, em 1641, quando um físico dinamarquês reuniu os casos mais estranhos da medicina em um livro.

Segundo esse relato Vorstius estava em sua casa, em Milão, em 1470 bebendo vinho quando começou a vomitar chamas até ser totalmente consumido pelo fogo. Esse é até hoje o primeiro caso registrado de combustão espontânea da história. De lá para cá centenas de outras ocorrências foram registradas (mais de 200 somente nos 3 últimos séculos).

O fenômeno intrigou tanto as pessoas da época que algum tempo depois ganhou um livro inteirinho sobre o assunto: De Incendiis Corporis Humani Spontaneis do autor Jonas Dupont, publicado na França em 1763 e que é considerada a primeira evidência concreta sobre o tema. Reunindo diversos casos de combustão humana espontânea um dos casos mais famosos – e que levou o autor a reunir os casos em um livro – foi o de Madame Millet, uma alcoólatra inveterada que teve esse triste fim.

A história começa com seu marido sendo acordado por um forte cheiro de fumaça durante a noite. Ao olhar para o lado preocupado procurando a fonte do cheiro ele encontra a esposa carbonizada!! Para aumentar o mistério os móveis de madeira e as cobertas estavam intactos. Imediatamente o marido foi julgado como sendo o autor do assassinato. Para a sua sorte, naquela noite descansava em sua pousada um cirurgião que já conhecedor do tema foi ao juiz e expôs o caso da combustão espontânea à autoridade. Aceita a defesa o homem foi liberado e o legista anotou a morte como consequência de uma “visita de Deus”.

A “fama” da combustão humana espontânea veio no século XIX quando Charles Dickens, um dos maiores escritores ingleses de todos os tempos, resolveu matar Krook um dos personagens da obra Bleak House dessa maneira. Contestado pelos críticos por estar espalhando mentiras e promovendo o caos na sociedade Vitoriana, Dickens apontou mais de 30 estudos sobre o caso até aquela época.O que se sabe e o que se acredita saber

Combustão espontânea existe, é um fato e é até bem comum. Consiste em algo pegar fogo sem a ajuda de uma chama externa, o que pode ocorrer por diversas maneiras, como através de calor gerado por decomposição, por exemplo.

Assim, os mesmos princípios podem ser aplicados à combustão espontânea em seres humanos. E embora ainda não possa ser explicada – já que é meio difícil prver com exatidão quando o fenômeno vai ocorrer, para não mencionar o fato de ter que estudar alguém pegando fogo – algumas características em comum podem ser notadas nos casos conhecidos.

Mãos e pés não queimam
O entorno ao corpo fica intacto
A combustão deixa resíduos de cinzas oleosas, fétidas e cheiro bastante forte
Geralmente ocorre em pessoas sozinhas ou de idade avançada
Maior frequência em pessoas com alcoolismo

Assim, há centenas de anos discute-se o que pode causar tal fenômeno, sendo apontadas como as possíveis causas: Reações químicas: Embora nunca se tenha conseguido fazer uma junção de elementos que termine em combustão espontânea, alguns ainda acreditam que essa possa ser a fonte de fogo que vem de dentro para fora.

Gordura corporal e chama externa: A mais plausível de todas diz que a combustão espontânea, infelizmente, não é tão espontânea assim, sendo, na verdade, causada por uma chama "normal". Pense bem: gordura animal é um excelente comburente (não é à toa que gordura de baleia foi usada para acender lampiões durante séculos). Junte a isso nossas roupas, que são verdadeiras fogueiras ambulantes e pronto.

Numa situação hipotética lá está fulano fumando seu cigarro que então, por algum motivo ou outro (pílulas para dormir, álcool, etc.) deixa cair sobre a blusa, iniciando imediatamente o incêndio. Logo o fogo consumiria o tecido das roupas atingindo então a nossa gordura que alimentaria a chama (imagine o exemplo de uma vela, onde o pavio é nossa gordura e a cera que o envolve é nossa roupa). Se isso de fato ocorrer, o tal cigarro que gerou todo o fogo ficaria impossibilitado de ser reconhecido pelo legista ou qualquer outra pessoa em meio às cinzas, dando a ideia de que a chama surgiu do nada. Apenas para contextualizar, 25% dos incêndios causados nos Estados Unidos, ou seja 1 em cada 4, estão ligados ao cigarro.

De quebra esta teoria poderia explicar por que as mãos e pés não queimam (a não ser que você conheça alguém que costume fumar de luvas); por que é mais comum em pessoas sozinhas (se você visse que algum amigo conseguiu colocar fogo na roupa, você não ajudaria a apagar?) e por que acontece mais com pessoas debilitadas que não conseguiriam reagir rapidamente (pessoas alcoolizadas, idosos, etc.).

Similar é o fato de alguém que morresse subitamente, como em decorrência de um ataque cardíaco, e então esbarasse em uma vela ou caísse sobre o mesmo cigarro de antes. O legista não poderia atestar se o fogo foi o agente da morte ou se apenas foi um fato posterior. Eletricidade estática: Sabe quando você vai sair de um carro e toma choque na porta? Isso é a eletricidade acumulada no seu corpo que encontrou algum lugar conveniente para descarregar.

Calma que nada tem a ver com a parte elétrica do carro. O que acontece é que ao esfregarmos nossas roupas no estofado, por exemplo, iremos ganhar ou perder elétrons em um processo natural do dia a dia. Acontece que muitas vezes será gerado um acúmulo de carga que só será liberado quando seu corpo tocar um local neutro, o que como você deve ter imaginado, será a porta do veículo. Assim, não é raro, caso você esteja atento às suas mãos no momento da descarga, que uma faísca perceptível a olho nu seja gerada.

Pronto, uma faísca no local certo, na hora certa, sob condições certas, pode ser o estopim para um incêndio.

Estudos: Com o passar do tempo alguns estudos mais profissionais foram feitos e então o “achismo” pôde ser deixado de lado.

Nos anos 80, por exemplo, o investigador científico Joe Nickell e o analista forense John Fischer analisaram dezenas de casos de combustão humana registrados nos últimos 3 séculos. Segundo seus resultados, na maioria dos casos o corpo havia sido encontrado perto de alguma fonte de ignição, como lareiras, velas, lampiões, lâmpadas, etc., informação um tanto quanto importante, mas que muitas vezes era omitida por conta do sensacionalismo e da notícia.

Em um outro estudo, agora da pesquisadora Angi Christensen, concluiu-se que uma chama gerada pela queima de tecido humano resulta em uma pequena quantidade de calor, demonstrando que seria difícil um fogo se alastrar por estes meios.

Intervenção divina: ???¿???¿????¿???¿????¿???¿?¿????¿? Os cara é muito piadista

Entre outras causas que poderiam também ser apontadas como motivo para uma possível combustão humana espontânea incluem bactérias, stress, acúmulo de materiais inflamáveis externos ao corpo (acetona de unha, por exemplo) e até uma partícula desconhecida chamada de Pyrotron.

Pois é, infelizmente, parece que a combustão espontânea tem sim uma explicação convencional e, por mais bacana que possa ser o fato de alguém pegar fogo do nada, não ocorre como se imaginava há centenas de anos.

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