Como sair do efeito platô na perda de peso

Como sair do efeito platô na perda de peso

Alexandra Bellino é formada em Educação Física e trabalha como personal trainer em Seattle, EUA.

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Um das coisas mais chatas que enfrentamos na luta contra o peso é quando estamos animados, motivados, dando um gás danado disciplinadamente já há algum tempo rumo à nossa meta de peso mas num determinado momento o ponteiro da balança estaciona e parece não importar o que a gente faça, não conseguimos mais perder mais peso. O que acontece? Como sair desse efeito platô?
O efeito platô acontece porque o corpo não pode ficar perdendo peso indefinidamente… pelo menos é assim que “pensa” o cérebro ao notar que estamos emagrecendo. Nosso corpo tende a se adaptar ao aumento de atividades e redução das calorias ingeridas para que, na interpretação natural do cérebro, não continuemos emagrecendo até a morte! Não faria sentido do ponto de vista metabólico se o corpo respondesse sempre da mesma forma aos esforços de dieta e exercícios, pois literalemente emagreceríamos até a morte, o que obviamente não é o que ocorre! Não funciona, no entanto, reduzir ainda mais a quantidade de calorias ingeridas pois a partir de um certo ponto o corpo começa a lutar contra a falta de energia disponível e o metabolismo fica cada vez mais lento. Comer de menos é um verdadeiro tiro no pé! Não dá certo, pois o corpo novamente se adapta rapidamente ao novo nível calórico para evitar morte por inanição. É claro que não comer por longos períodos de tempo acaba superando as defesas do corpo como em casos de anorexia, mas isso não é uma opção, não é mesmo?! Você quer aquele corpão, bonito e desejável e não deseja ser um esqueleto ambulante, certo? (pelo menos eu espero que não!)

A solução então é intensificar de tempos em tempos a queima de calorias – e é importante mencionar: sem mudar a dieta! – Personal trainers debatem muito sobre a melhor forma de abordar esse problema, mas vejo que não existe só uma forma correta de fazer as coisas. É possível emagrecer de diversas formas diferentes e obter os mesmos resultados. Alguns profissionais preferem quebrar o platô fazendo a pessoa pegar pesadíssimo na musculação, o que gera uma reação catabólica violenta no organismo e passa a fazer o corpo começar a queimar gordura de novo. O problema é que esse tipo de técnica exige acompanhamento ou pelo menos conhecimento dos tipos de exercícios certos e geralmente precisa ser feito em academia para melhor utilização dos equipamentos, pesos e demais bugigangas que as academias oferecem para tornar o exercício mais focado e eficaz.

Uma opção para quem não sabe como “pegar pesado” apropriadamente, não deseja ter acompanhamento de personal trainer ou não quer seguir por esse caminho é partir para o cardio. Atividades cardio vasculares intensas quebram também o marasmo em que o corpo se encontra forçando-o a queimar mais calorias até que ele se acostume de novo com o ritmo! Se em sua rotina de emagrecimento você está fazendo caminhada ou qualquer outra atividade cardio vascular leve, no momento em que você começar a intensificar os batimentos cardíacos seu corpo sairá do platô. Isso funciona se você não faz já alguma atividade desse tipo. Nesse caso, pense nas seguintes atividades: natação, pular corda, corrida, spinning, escada (subir e descer ou o equipamento na academia que imita o movimento de subir escada), elíptica. O objetivo é sair do feijão com arroz da atividadezinha devagar e tranquila e fazer o coração bater rápido por pelo menos 28 minutos, 3 vezes por semana. Já na primeira semana você verá resultados.

Algumas pessoas, no entanto, não conseguem manter o ritmo por 28 minutos. Vejo até que algumas pessoas não conseguem correr na esteira por mais de 2 ou 3 minutos. Essa última opção é válida para esse grupo e felizmente, é a melhor de todas! Muitos profissionais dizem que o treinamento por intervalo é a melhor forma, sem comparação, de sair do platô e perder peso rápido. Concordo! No treinamento de intervalo, você dá um gás imenso na atividade elevando seus batimentos cardíacos até a exaustão, daí você reduz, não pára, mas descansa, novamente então mais um pico em que você puxa até não aguentar mais, depois reduz de novo e assim vai, até o esgotamento da sua capacidade de realizar os picos de intensidade.

No treinamento com intervalo você pode dar um gás maior do que faria se estivesse num movimento constante que durará todo o tempo do exercício. Na corrida, por exemplo, se você vai correr por 28 minutos, você manterá um ritmo um pouco mais rápido do que uma caminhada acelerada, mas você sabe que precisa controlar a velocidade para não se cansar demais e não conseguir terminar os 28 minutos. No treinamento de intervalo você vai até o limite do seu fôlego, corre o mais rápido que puder até não aguentar mais e daí reduz a velocidade e caminha até descansar o suficiente para voltar a correr com intensidade.

Devo mencionar que o treinamento de intervalo não é indicado para pessoas que estão muito acima do peso ou que tenham dificuldades para se engajar em atividades intensas. Para quem está muito acima do peso, caminhada é o ideal até que seja atingido um peso que permita atividades mais intensas. Para quem não está acostumado com atividades de alto impacto ou que exijam muita capacidade cardíaca e respiratória, o ideal é natação e escadas (escadas fazem milagres!).

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