Trump extrapola os limites ao mudar embaixada em Israel, cutucando o mundo árabe

Trump extrapola os limites ao mudar embaixada em Israel, cutucando o mundo árabe

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não anunciou se irá adiar novamente a transferência da embaixada dos EUA em Israel para Jerusalém, apesar de um prazo para fazê-lo ter ex

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WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não anunciou se irá adiar novamente a transferência da embaixada dos EUA em Israel para Jerusalém, apesar de um prazo para fazê-lo ter expirado na segunda-feira. A expectativa era que ele se manifestasse na segunda-feira, mas o porta-voz da Casa Branca Hogan Gidley disse à imprensa que uma decisão será tomada "nos próximos dias". Enquanto isso, cresce a pressão internacional para que Trump não tome essa decisão diante da possibilidade de interromper as negociações de paz entre Israel e Palestina.

Trump deveria decidir se irá assinar ou não uma dispensa que adiaria por mais seis meses a transferência da embaixada norte-americana de Tel Aviv, como tem feito todo presidente dos EUA desde que o Congresso aprovou uma lei sobre a questão em 1995. A mudança da sede diplomática representaria uma reconhecimento americano de que a cidade sagrada é a capital de Israel. Isso reverteria 70 anos de consenso internacional, o que muitos indicam que atrapalharia o processo de paz.

Em anonimato, uma autoridade palestina disse à agência AFP que Trump telefonou nesta terça-feira ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, em meio às especulações sobre as intenções do presidente em mudar a embaixada para Jerusalém e reconhecer a cidade como capital de Israel. Não são conhecidos, no entanto, mais detalhes sobre a conversa entre os dois líderes.

Em discurso no Parlamento nesta terça-feira, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan ameaçou cortar relações com Israel caso tal medida seja adotada. Ele afirmou que reconhecer Jerusalém como capital israelense é uma "linha vermelha" para os muçulmanos.

— Senhor Trump, Jerusalém é uma linha vermelha para os muçulmanos — declarou o presidente turco. — Vamos continuar com esta luta até o fim com determinação. E isso poderia ir até a ruptura de nossas relações diplomáticas com Israel.

O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Abul Gheit, considerou "perigosa" mudança da sede diplomática americana. Abul Gheit declarou aos membros deste fórum pan-árabe que a reunião convocada nesta terça-feira se devia "ao perigo desta questão, se isso ocorresse, e às possíveis consequências negativas não somente para a situação Palestina como também na região árabe e islâmica". O chefe da organização pan-árabe estimou que um eventual traslado da embaixada americana representa uma "ameaça à estabilidade regional".

— Esta decisão colocaria fim ao papel dos Estados Unidos como mediador de confiança entre palestinos e as forças (israelenses) de ocupação — acrescentou.

A União Europeia, que integra o quarteto do Oriente Médio designado a mediar as negociações junto a EUA, Rússia e ONU, alertou a sérias repercussões da decisão de Trump sobre a opinião pública em várias partes do mundo".

Já o presidente francês Emmanuel Macron afirmou diretamente ao presidente Donald Trump que está preocupado com tal reconhecimento unilateral, afirmando que a decisão pode estar "dentro do enquadramento de negociações entre israelenses e palestinos".

MUNDO ÁRABE CONDENA POSSÍVEL MEDIDA

Nabil Shaath — conselheiro de alto escalão do presidente palestino, Mahmud Abbas — alertou o presidente americano, Donald Trump, que Washington acabará com os esforços de paz de sua administração, caso reconheça Jerusalém como capital de Israel.

— Não aceitaremos a mediação dos Estados Unidos, não aceitaremos a mediação de Trump. Será o fim do papel desempenhado pelos americanos neste processo — disse Shaath à imprensa, enquanto a comunidade internacional aguarda a decisão de Trump sobre a possível transferência de sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém.

Shaath também alertou para a reação das ruas palestinas e árabes.

— Não sei se isso provocará distúrbios, mas haverá, sem dúvida, manifestações populares em toda parte. Espero que não haja violência — disse. — Mas podem explodir distúrbios no mundo árabe, que não poderemos controlar — acrescentou.

A Arábia Saudita expressou esperança de que os Estados Unidos não reconheçam Jerusalém como a capital de Israel e advertiu que tal decisão teria sérias implicações, relatou a agência de notícias estatal SPA nesta terça-feira.

"O reconhecimento terá implicações muito sérias e será provocativo para os sentimentos de todos os muçulmanos", disse uma fonte oficial não identificada do Ministério de Relações Exteriores saudita, segundo a SPA. "O governo dos Estados Unidos deve levar em consideração as implicações negativas de tal passo e a esperança do reino de que não tome tal decisão, uma vez que isso irá afetar a habilidade dos EUA de continuar sua tentativa de alcançar uma solução justa para a causa palestina", acrescentou.

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